quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

pessoas que levarei comigo sempre....

É difícil encontrar as palavras certas para descrever todas as emoções vividas, as maravilhosas imagens de vida, os olhares, as cores e sabores, que eu gostaria de poder lembrar, os cheiros de cada lugar, as sensações vivenciadas e as reflexões feitas.

Muitas destas situações foram vivenciadas juntas e acredito que não existam palavras mais claras que nossos olhos e nossa pele para perceber tudo que foi vivido intensamente e para entender o quanto todos nós estávamos envolvidos pela mesma alegria de vivê-las. Acredito que para vocês não exista satisfação maior.

De minha parte, muito obrigado por tudo que vivenciei neste dias, obrigado pelas situações sempre diferentes, criadas ou improvisadas, sempre fortes e incrivelmente emocionantes.

Levo comigo os estupendos paraísos naturais vividos na solidão, as ondas do mar, o céu estrelado, as dunas branquíssimas, o vento no rosto. Mas levo comigo sobretudo todas as pessoas que tive a sorte de encontrar e viver através de vocês, das quais avidamente roubei e provei ensinamentos, pensamentos, sorrisos, hábitos, e entre as quais me senti bem, pois fui acolhido com muita simplicidade, serenidade e vontade de compartilhar.

Levo comigo a genialidade e sabedoria, as pessoas e as cores, Daniel com suas idéias e seu riso maléfico cara de menino ruin, as frases de musicas citados por jujux, as incríveis plenarias que surgiam em cada canto de grama verde, todos os barzinhos onde paramos para uma cerveja, todos os sorrisos e abraços e tudo aquilo que foi pura improvisação, pura vida.

Parti de Natal com duas certezas: a emoção da Alma, que já havia vivenciado tudo isso, pelo que estava para viver e a consciência de ter uns companheiros de viagem especial.

Volto para casa com as duas maravilhosas confirmações e com a serenidade da consciência de ter vivido momentos belíssimos.

Obrigado de coração.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Outro modo Graveola e o Lixo Polifônico

outro modo de dizer
tudo atravessa o nada
e o que faz acontecer
ambigüidade estabanada

quero tropeçar em erros, acertos acidentais
antagonizar discursos, sujeitos transcendentais

tem outro modo de ser
soa sobre o som
(silêncio)
e o que faço é desfazer
círculo em fala quadrada

quero tropeçar em nada e dizer
quero transformar o erro em um outro modo de fazer o som
no outro modo não tem semitom

sábado, 28 de janeiro de 2012

ninguém pode voar onde todos rastejam


É, porém, fatal que os povos tenham longas inter-cadências de cevadura. A história não conhece um único caso em que altos ideais trabalhem com ritmo contínuo, para a evolução de uma raça. Há horas de palingenesia, e as há tembém de apatia, como há vigílias e sonhos, dias e noites, primaveras e outonas, em cujo altenar-se infinito está dividida a continuidade do tempo.

Em certos períodos, a nação adormece dentro do pais. O organismo vegeta; o espírito se amodorra. Os apetites acossam os ideais, tornando-os dominadores e agressivos. Não há astros no horizonte, nem auriflamas nos campanários. Não se percebe clamor algum do povo; não ressoa o éco de grandes vozes animadoras. Todos os apinham em torno dos mantos oficiais, para conseguir, alguma migalha da merenda. É o clima da mediocridade.

Os Estados tornam-se mediocracias que os filósofos inexpressivos prefeririam denominar "mesocracias".

O culto da verdade entra na penumbra, bem como o afã de admiração, a fé em crenças firmes, a exaltação de ideais, o desinteresse, a abnegação — tudo o que está no caminho da virtude e da dignidade.

Todos os espíritos se temperam pelo mesmo diapasão utilitário. Fala-se por meio de rifões, como Panzo discorria; crê-se como Gil Blas ensinou. Tudo o que è vulgar, encontra fervorosos adeptos, entre os que representam os interesses militares; os seus mais altos porta-vozes são escravos do seu clima. São atores aos quais foi proibido improvisar: de outra forma, romperiam o molde a que se ajustam as outras peças do mosaico.

Platão, sem querer, dizendo da democracia: "é o pior dos bons governos, mas é o melhor entre os maus", definiu a mediocracia. Transcorram séculos; a sentença conserva a sua verdade.

Na primeira década do século XX, acentuou-se a decadência moral das classes governantes. Em cada comarca, uma facção de parasitas detém as engrenagens do mecanismo oficial, excluindo do seu seio todos quantos recusam altivamente a própria cumplicidade em seus empreendimentos. Aqui são castas adventícias, ali sindicatos industriais, acolá facções de palavreiros. São gave-las, e se intitulam partidos. Intentam disfarçar com os ideais o seu monopólio do Estado. São bandoleiros que procuram a encruzilhada mais impune, para espoliar a sociedade.

Em todos os tempos e sob todos os regimes, houve políticos sem vergonha; mas estes nunca encontram melhor clima, do que nas burguezias ideais. Onde todos podem falar, os ilustrados se calam; os enriquecidos preferem ouvir os mais vis imbuidores.

Quando o ignorante se julga igualado ao estudioso, o velhaco ao apóstolo, o falador ao eloqüente e o mau ao digno, a escala do mérito desaparece numa vergonhosa nivelação de vilania. A mediocridade é isso: os que nada sabem, julgam dizer o que pensam, embora cada um só consiga repetir dogmas, ou auspiciar voracidades.

Essa chatice moral é mais grave do que a aclimação a uma tirania; ninguém pode voar onde todos rastejam. Convenciona-se denominar urbanidade à hipocrisia, distinção à efeminação, cultura à timidez, tolerância à cumplicidade; a mentira proporciona estas denominações equívocas. E os que assim mentem, são inimigos de si próprios e da pátria, deshonrando, nela, seus pais e seus filhos, e carcomendo a dignidade comum.

Nesses parênteses de cevadura, as mediocracias se aventuram por sendas ignóbeis. A obsessão de acumular tesouros materiais, ou o torpe afã de desfrutá-los com folgança, apaga do espírito coletivo todo vestígio do sonho. Os países deixam de ser pátria. Qualquer ideal parece suspeito. Os filósofos, os sabios e os artistas são demais; o peso da atmosiera estorva as suas azas e deixam de voar. A sua presença mortifica os traficantes, todos os que trabalham por lucro, os escravos da economia ou da avareza. As coisas do espírito são desprezadas; não sendo propício o clima, seus cultores sao poucos, nao dentro do país, que mata, a fogo lento, os seus ideais, sem precisar desterrá-los. Cada homem fica preso entre mil sombras que o rodeiam, e o paralisam.

Sempre há medíocres; estes são perenes. O que varia, é o seu prestígio e a sua influência. Nas épocas de exaltação renovadora, eles se mostram humildes, são tolerados; ninguém os nota, não ousam meter-se em coisa alguma. Quando se enfraquecem os ideais, e se substitue o quantitativo peio quantitativo, começa-se a contar com eles. Apercebem então, o seu numero, reúnem-se em grupos, arrebanham-se em partidos. A sua infiuéncia cresce, à medida que o clima se tempera; e o sábio é igualado ao analfabeto, o rebelde ao lacaio, o poeta ao presu-mista. A mediocridade se condensa, converte-se em sistema, torna-se incontrastável.

Enaltecem-se os ganhões, pois que não florescem os gênios; as criações e as proiecias sao impossíveis, se náo estão na alma da época.

A aspiração ao melhor náo é privilégio de todas as gerações. Depois de uma que realizou um grande estorço, arrastaua e comovida por um gênio, a seguinte descansa, e se dedica a viver de glorias passadas, comemo rando-as sem fé; as facções disputam as rédeas administrativas, competindo no manuseio de todos os sonhos. À mingua ciestes é disfarçada com um excesso de pompas e ae palavras; cala-se qualquer protesto, oferecendo participação nos festins; prociamam-se as melhores intenções, e se praticam baixezas abomináveis; mente a arte; mente a justiça; mente o caráter. Tudo mente, com a aquiescência de todos; cada homem põe preço à sua cumplicidade — um preço razoável, que oscila entre um emprego e uma condenação.

Os que governam, não criam tal estado de coisas e de espírito; representam-no. Quando as nações dão em baixios, alguma facção se apodera da engrenagem constituída ou reformada por homens geniais. Florescem legisladores, pululam arquivistas, os funcionários são contados por legiões; as leis se multiplicam, sem, entretanto, ser reforçada a sua eficácia. t

As ciências convertem-se em mecanismos oficiais, em institutos e academias, de onde jamais brota o gênio, e onde até se impede que o talento brilhe; sua presença humilharia, com a força do contraste. As artes tornam-se indústrias patrocinadas pelo Estado, reacionário em seus gostos e adverso a toda previsão de novos ritmos ou de novas formas; a imaginação de artistas e poetas parece que se aguça, para descobrir as gretas do orçamento, e se infiltrar por elas.

Em tais épocas, os astros não surgem. Fazem greve; a sociedade nao necessita deles; basta-lhes a sua coorte de funcionários.

O nível dos governantes desce, até marcar zero; a mediocracia é uma confabulação de zeros contra unidades.

Cem políticos torpes, juntos, não valem um estadista genial.

Somai dez zeros, cem, mil, todos os zeros da matemática, e não tereis quantidade alguma, nem siquer negativa.

Os políticos sem ideal marcam o zero absoluto, nos termômetros da historia, conservando-se limpos da in fâmia e da virtude, equivalentes de Néro e de Marco Aurelio.

Uma apatia conservadora caracteriza esses períodos; enfraquece-se a ansiedade das coisas elevadas, prosperando, ao contrario, o ara de suntuosos jormalismos. Us governantes que não pensam, parecem prudentes; os que nada fazem, intitulam-se repousados; os que não roubam são exemplares. O conceito do mento se torna negativo; as sombras são preferíveis aos homens. Procura-se o originalmente medíocre, ou o mediocrizado peia senilidade. Em vez de heróis, gênios ou santos, reclama-se discre tos administradores. Mas o estadista, o filósofo, o poeta, os que realizam, pregam e cantam alguma parte de um ideal, estão ausentes, Nada tem a lazer.

A tirania do clima é absoluta: nivelar-se ou sucumbir. A regra conhece poucas exceções na história. As mediocracias negaram sempre as virtudes, as belezas, as grandezas; deram veneno a Sócrates; o madeiro a Cristo; o punhal a Cesar; o destêrro a Dante; o cárcere a Galileo; o fogo a Bruno; e, enquanto escarneciam desses homens exemplares, esmagando-os com a sua sanha ou armando contra eles algum braço enlouquecido, ofereciam o seu servilismo a governantes imbecis ou davam o seu ombro para sustentar as mais torpes tiranias. A um preço: que estas garantissem, às classes fartas, a tranqüilidade necessária para usufruir seus privilégios.

Nessas épocas de lenocínio, a autoridade é fácil de ser exercida: as cortes se poviam de servis, de retóricos que palavreiam pane lucrando,de aspirantes a algum "pa chalato", de polichinelos em cujas consciências está sempre arvorado o lábaro ignominioso.

As mediocracias são escoradas pelos apetites dos que esperam nelas viver, e no medo dos que temem perder a pitança.

A indignidade civil é lei, nesses climas. Todo homem declina de sua personalidade, ao converter-se em funcionário: a cadeia não é visível no seu pé, como nos dos escravos, mas êle a arasta, ocultamente, amarrada ao seu intestino. Cidadãos de uma pátria, são os incapazes de viver pelo seu esforço, sem a cevadura oficial. Quando tudo é sacrificado a esta, sobrepondo-se os apetites às aspirações, o sentido moral se degrada, e a decadência se aproxima. Inutilmente se buscam remédios na glorificação do passado. Dessa fadiga, os povos não despertam louvando o que foi, sinão, semeado o porvir

Em raros momentos, a paixão caldeia a história, e se exaltam os idealismos; quando as nações se constituem, e quando elas se renovam. Antes, é secreta ânsia de liberdade, luta pela independência; mais tarde, crise de consolidação institucional a seguir e, depois, veemência de expansão, ou pujança de energias. Os gênios pronunciam palavras definitivas; os estadistas plasmam os seus planos visionários; os heróis põem o seu coração na balança do destino.

caminhante noturno

Meus sapatos
Me levaram para uma caminhada
Eu acho
Que andamos cem quadras
Quando era hora de voltar
Estávamos perdendo o rumo
Eles disseram
"Só mais um cigarro"
Uma bebida ou duas não faz mal
Meus sapatos
Me levaram para um bar
Bem rápido
Eu disse:
"Estamos em uma armadilha, estamos"
Uma dose me renovou
Duas e só pensava em você

Dançando, dançando,
Sonhando com uma luz de néon
Dançando, só dançando
Eu tenho você no fundo da minha mente

Que triste
É alguém dançar sozinho?
Que pena
Os passos parecem todos errados
Uma dose só me fez triste
Duas, eu estou pensando em você
Um dia
Espero que eu esteja certo
Uma noite
Como qualquer outra noite
Seus sapatos irão levá-la para uma caminhada
E irão guia-lá a minha porta

rotina tediante de caicó


ta rolando um tédio
mais eu não quero sair p os mesmos lugares
nem fazer as mesmas coisas
sabe quando vc ta afim de curtir algo novo
sei la
esperimentar novas pessoas
ou velhas q a muito tempo vc não ver
curtir outros ambientes
coisas da paz
é isso