sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O AMANTE INVISÍVEL


Quero suprimir o tempo e o espaço
A fim de me encontrar sem limites unido ao teu ser,
Quero que Deus aniquile minha forma atual e me faça voltar a ti,
Quero circular no teu corpo com a velocidade da hóstia,
Quero penetrar nas tuas entranhas
A fim de ter um conhecimento de ti que nem tu mesma possuis,
Quero navegar nas tuas artérias e confabular com teu sangue,
Quero levantar tua pálpebra e espiar tua pupila quando acordares,
Quero abaixar a nuvem para que teu sono seja calmo,
Quero ser expelido pela tua saliva,
Quero me estorcer nos teus braços
Quando os fundamentos da terra se abalarem nos teus pesadelos,
Quero escrever a biografia de todos os átomos do teu corpo,
Quero combinar os sons
Para que a música da maior ternura embale teus ouvidos,
Quero mandar teu nome nas flechas do vento
Para que outros povos te conheçam do outro lado do mar,
Quero forçar teu pensamento a pensar em mim,
Quero desenhar diante de teus olhos
O Alfa e o Ômega nos teus instantes de dúvida,
Quero subir em ramagem pelas tuas pernas,
Quero me enrolar em serpente no teu pescoço,
Quero ser acariciado em pedra pelas tuas mãos,
Quero me dissolver em perfume nas tuas narinas,
Quero me transformar em ti

Versos Íntimos


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

O AMANTE INVISÍVEL



Quero suprimir o tempo e o espaço
A fim de me encontrar sem limites unido ao teu ser,
Quero que Deus aniquile minha forma atual e me faça voltar a ti,
Quero circular no teu corpo com a velocidade da hóstia,
Quero penetrar nas tuas entranhas
A fim de ter um conhecimento de ti que nem tu mesma possuis,
Quero navegar nas tuas artérias e confabular com teu sangue,
Quero levantar tua pálpebra e espiar tua pupila quando acordares,
Quero baixar a nuvem para que teu sono seja calmo,
Quero ser expelido pela tua saliva,
Quero me estorcer nos teus braços
Quando os fundamentos da terra se abalarem nos teus pesadelos,
Quero escrever a biografia de todos os átomos do teu corpo,
Quero combinar os sons
Para que a música da maior ternura embale teus ouvidos,
Quero mandar teu nome nas flechas dos ventos
Para que outros povos te conheçam do outro lado do mar,
Quero forçar teu pensamento a pensar em mim,
Quero desenhar diante de teus olhos
O Alfa e Ômega nos teus instantes de dúvida,
Quero subir em ramagem pelas tuas pernas,
Quero me enrolar em serpente no teu pescoço,
Quero ser acariciado em pedra pelas tuas mãos,
Quero me dissolver em perfume nas tuas narinas,
Quero me transformar em ti.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010


Hoje eu tô sozinho
E não aceito conselho
Vou pintar minhas nhas
E meu cabelo de vermelho...

Hoje eu tô sozinho
Não sei se me levo
Ou se me acompanho
Mas é que se eu perder
Eu perco sozinho
Mas é que se eu ganhar
Aí é só eu que ganho...

Hoje eu não vou falar mal nem bem de ninguém
Hoje eu não vou falar bem nem mal de ninguém...

Logo agora que eu parei
Parei de te esperar
De enfeitar nosso barraco
De pendurar meus enfeites
Te fazer o café fraco, eh!...

Parei!
De pegar o carro correndo
De ligar só prá você
De entender sua família
E te compreender, êh!...

Hoje eu tô sozinho
E tudo parece maior
Mas é melhor ficar sozinho
Que é prá não ficar pior...

Hoje eu não vou falar mal nem bem de ninguém

E já que eu tô só
Não sei se me levo
Ou se me acompanho
Mas é que se eu perder
Eu perco sozinho
Se eu ganhar
Aí é só eu que ganho...

domingo, 28 de novembro de 2010

quem sou eu???

Quando me olho no espelho, sinceramente me acho bastante razoável. Mas é só eu ver uma foto minha - mesmo que seja uma "boa" foto - para mudar de opinião. O ângulo do pescoço, a sombrancelha levantada, o sorriso forçado, a expressão repuxada, o olhar duro e fixo - tudo na foto parece forçado, não tem mais a simpática mobilidade com que me olho ao me pentear ou fazer a barba.

Será que não me olho, que não me enxergo bem quando estou diante do espelho? E, assim, penso que sou menos estranho do que de fato sou? Ou será culpa da máquina, do fotógrafo, que obtiveram uma imagem arrancada com violência do fluxo confortável do tempo dentro do qual eu vivo?

Na pintura, os grandes auto-retratos - os de Rembrandt, por exemplo - parecem ter a preocupação de valorizar tudo o que houver de móvel, de instável, de flexível num rosto humano, na vida humana. Não surgem como a imagem fixa, repentina, de seu autor. Não é por acaso, talvez, que Rembrandt retratou a si mesmo em inúmeras épocas de sua vida. É como se o verdadeiro autro-retrato não terminasse nunca, tivesse de se estender ao longo dos anos, envelhecer como o rosto de quem o pintou.

Mas o que acontece com quem responde uma pergunta "quem sou eu?". Não tem como não fugir do instantâneo, do automático - de tudo aquilo que faz violência contra a duração do tempo, de sua consciência e de seu corpo. "Quem sou eu" está mais próximo de uma foto feita por uma pessoa do que a imagem que o autor tem de si mesmo no espelho. Por isso para a pergunta "quem sou eu?" a melhor resposta é "Não Sei!".

sábado, 16 de outubro de 2010

saindo do armario......


Armário
Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro
Lembro quando você me falou,
dentro do armário,
só tem bolor e naftalina.
Vem já pra fora, meu bem,
que só aqui é que tem,
calor e adrenalina.
Voltei pra casa,
parei na porta,
pensei um pouco...
Nem morta!
Não posso, não posso,
já falei que eu não posso,
não é que eu não queira,
mas é tão difícil pra mim.
É claro que eu quero,
quero mais que tudo,
mas sinto tanto medo,
um medo absurdo!
Medo dos vizinhos,
medo da mommy,
medo do daddy,
e do meu irmão,
que já foi skinhead.
Oh, meu amor,
ninguém me faz tão feliz,
ninguém me fez tanto bem...
Mas já que eu não posso sair do armário,
peço que você entre no armário também...
Não posso, não posso,
já falei que eu não posso,
não é que eu não queira,
mas é tão difícil pra mim.
É claro que eu quero,
quero mais que tudo,
mas sinto tanto medo,
um medo absurdo!
Medo dos vizinhos,
medo da mommy,
medo do daddy,
e do meu irmão,
Que já foi skinhead.
Oh, meu amor,
você é tudo de bom,
ninguém me fez tanto bem...
Mas já que eu não posso sair do armário,
Peço que você entre no armário também...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A História de Lily Braun


Como num romance o homem dos meus sonhos me apareceu no dancing, era mais um
Só que num relance os seus olhos me chuparam feito um zoom
Ele me comia com aqueles olhos de comer fotografia, eu disse cheese
E de close em close fui perdendo a pose e até sorri, feliz
E voltou, me ofereceu um drinque, me chamou de anjo azul
Minha visão foi desde então ficando flou
Como no cinema me mandava às vezes uma rosa e um poema, foco de luz
Eu, feito uma gema me desmilingüindo toda ao som do blues
Abusou do scotch, disse que meu corpo era só dele aquela noite, eu disse please
Xale no decote, disparei com as faces rubras e febris
E voltou no derradeiro show com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus, já vou com os meus numa turnê

Como amar esposa, disse ele que agora só me amava como esposa, não como star
Me amassou as rosas, me queimou as fotos, me beijou no altar
Nunca mais romance, nunca mais cinema, nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese, nunca uma espelunca, uma rosa nunca, nunca mais feliz

Nunca mais romance, nunca mais cinema, nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese, nunca uma espelunca, uma rosa nunca, nunca mais feliz